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10 de Março de 2016 18:13

Artigo – Cidadania

Um dia desses, em um engarrafamento voltando de Pirangi, vi uma cena que me deixou um tanto quanto atônito e entristecido. No carro da frente, para minha revolta, vi o motorista atirar pela janela uma garrafa plástica de refrigerante usada, que voou e parou em pleno passeio público. A naturalidade do ato denotava que, para aquele senhor, atirar lixo na rua era um ato corriqueiro e “correto”. Ainda pior, no banco de trás do seu carro estavam duas crianças, provavelmente filhos dele e, ao seu lado, sua esposa que, metros depois, também repetiu o mesmo ato. Nesse dia, para minha infelicidade, presenciei fatos semelhantes algumas vezes mais. Não havia distinção de idade, sexo ou classe social entre as pessoas que simplesmente achavam natural “atirar lixo na rua”. Por que isso me chocava e ainda me choca tanto?

Jogar lixo na rua, deixar água que serve como criadouro de insetos, oferecer suborno a agentes públicos, furar fila e tantos outros pequenos gestos de “exagerada liberalidade de comportamento social” não são apenas pequenas infrações sem consequências. Esses atos, assim como aqueles de natureza aparentemente mais grave (ex.: roubar, assassinar, etc.) ferem o conceito de contrato social que necessitamos ter para o convívio em sociedade. Ser cidadão é importar-se não apenas com o privado, mas com o que é público também.

Certamente o senhor e a senhora que atiraram as garrafas plásticas na rua não devem jogar o lixo pelo chão de sua casa. Por que então fazem isso na via pública? Será que acreditam que aquilo que é público “não é de ninguém”? Ser cidadão, porém, é saber que aquilo que é público “é de todos”!

Ser cidadão é saber que um ato que beneficia você em detrimento do outro, como por exemplo o simples fato de furar uma fila, fere o preceito básico da convivência pública e gera a desordem, pois isso abre o precedente para que o outro também busque seu benefício próprio em detrimento de você. Para os defensores da “flexibilidade e do jeitinho”, na Grécia antiga já se debatia o conceito que estaria por detrás disso e alguns filósofos chegavam a defender casos de assassinato baseados no mesmo princípio, afinal de contas alguém poderia assassinar o próximo para obter seus bens e assim tirar um proveito pessoal nisso, correto?!

É obvio que o exemplo acima beira o extremo e não significa que alguém que fure uma fila tenha o mesmo julgamento daquele que mata alguém. Porém, isso nos traz algo mais importante: o debate da cidadania. Ser cidadão é fazer sua parte sempre, não apenas nas situações em que isso nos pareça adequado. A consequência dos seus atos reflete em seus semelhantes. Assim como as ações deles refletem na sua. Sejamos cidadãos mais conscientes, começando com atos simples, como jogar lixo no lixo e cuidar do público como se fosse nosso também. Todos agradecerão, inclusive você!