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9 de outubro de 2014 17:27

Abertura do 16º Congresso Científico tem noite estrelada pelo conhecimento

 

Com um auditório lotado de alunos, professores e inscritos, na noite da quarta-feira (08), a Universidade Potiguar, integrante da Rede Laureate, realizou a Conferência Magna de abertura do XVI Congresso Científico e XV Mostra de Extensão, no Boulevard Recepções, em Natal. O convidado para palestrar sobre o tema “Ciência, Cultura, Arte e Filosofia: integração dos saberes para um mundo melhor”, foi o Professor Doutor Clóvis de Barros Filho, autoridade acadêmica em ética.

Dando as boas vindas aos presentes, a Reitora Acadêmica da UnP, Prof. Sâmela Gomes de Oliveira, agradeceu aos presentes que contribuíram para este ser o maior Congresso já realizado pela Universidade, com mais de 6 mil participantes, e mais de 800 trabalhos inscritos por professores e alunos.

Iniciando a palestra, Prof. Clóvis trouxe a discursão sobre a felicidade e as teorias em torno desse objetivo humano. Com o poder de seduzir por meio das palavras, Barros Filho passou por vários temas, sem perder a atenção de ninguém, e ainda arrancando muitas risadas do público, mesmo falando sobre questões filosóficas comumente tidas como complicadas, trouxe leveza e compreensão para cada assunto.

Em clima descontraído, o palestrante contou um pouco sobre a sua história, “Até os treze anos eu tirava 10 em tudo, mas não vibrava com aquilo. Meu pai me levava ao estádio Morumbi, à natação, escola de artes, e eu sofria”. Sempre irreverente, ele narra pelo que passou até descobrir algo que gostava. “Aos treze anos, o professor disse que ia fazer seminários, e meu tema seria Petróleo. No meio do semestre chegou minha vez. Eu cheguei no palquinho, e aquilo estava apinhado de gente. E pela primeira vez foi legal estar onde eu estava. Eu não queria que aquele momento acabasse. E ali entendi alguma coisa que a filosofia grega tenta explicar muito bem: um momento de felicidade é aquele que você gostaria que não acabasse tão cedo. Um momento que você desejaria a eternidade. E aquele momento foi o primeiro em treze anos, de uma vida feliz. A escola me deu a chance de encontrar as características que eram as minhas, e que se eu fizesse frutificar poderiam acabar ensejando a árvore de um docente que vai exercer a docência com amor. E quando você descobre qual é a sua praia, é muito legal de viver, e você não quer que a vida acabe.”

Dentro desse discurso, o Prof. Clóvis cita Aristóteles, e a teoria grega sobre a relação entre achar e desenvolver um talento, e a felicidade. A satisfação em trabalhar com algo que te deixa animado, e que a soma desses momentos, representam a felicidade de uma vida. Ainda foram citadas as noções de felicidade de acordo com os preceitos de Spinoza e Jesus Cristo, onde um relaciona o estar feliz com a potência de agir, e o outro com o amor que sentimos pelo outro.

Entre uma teoria e outra sobre a felicidade, vários temas foram abordados durante a palestra, como ética, corrupção, e a realidade em ser um professor no Brasil. Suas opiniões pessoais intercalavam com teorias filosóficas, e fatos comumente vistos através da mídia, sempre com uma narrativa divertida e leve. Aplaudido de pé ao fim da palestra, Clóvis agradeceu a presença de todos e deixou a mensagem “viva de tal maneira a querer que se repita aquele instante que você esta vivendo naquele momento.”, referindo-se aos momentos de felicidade que temos, e que devemos fazê-los serem constantes.

Graduado em Direito, Comunicação e Filosofia, e Mestre em Science Politique pela Université de Paris 3 – Sorbonne-Nouvelle, Clóvis de Barros Filho é professor de Ética e Livre-docente pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Sobre ética, sua especialidade, Prof. Clóvis é enfático quanto à importância de se estudar e entender a disciplina. “Numa sociedade eticamente desenvolvida há um respeito pelas decisões coletivas. Uma sociedade eticamente pobre, assiste o tempo inteiro a pessoas levarem vantagens sobre a vontade coletiva. É uma sociedade ruim, cada um por sí, o que lembra o reino animal. Ética é a inteligência compartilhada a serviço do aperfeiçoamento da convivência. É uma busca coletiva de uma convivência melhor.”

Clóvis de Barros Filho é o professor que ama o que faz. É o intelectual capaz de traduzir em palavras simples e divertidas, conceitos e teorias que muitos dão nó na cabeça para entender. O Palestrante levou conhecimento sobre temas que envolvem a Ciência, Cultura, Arte e a Filosofia, e conseguiu, durante a abertura do evento, envolver todos em torno do proposto pelo Congresso: a integração dos saberes para um mundo melhor.