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4 de agosto de 2017 17:52

Aluna de Design de Moda é finalista em Concurso Internacional de Moda Inclusiva

Íguia Telita teve dois looks selecionados com modelagem pensada no manuseio e uso de pessoas com deficiência

A aluna de Design de Moda da Universidade Potiguar, Íguia Telita de Medeiros, está entre as finalistas do 9º Concurso Moda Inclusiva – Edição Internacional, promovido pelo Governo do Estado de São Paulo. Com dois looks selecionados, a acadêmica desenvolveu roupas com modelagem pensada para auxiliar no manuseio e uso de pessoas com deficiência de locomoção.

Pensado pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Concurso de Moda Inclusiva chama atenção para a necessidade de que essa área também se torne acessível aos indivíduos que possuem algum tipo de deficiência. A proposta é que os concorrentes desenvolvam roupas funcionais que auxiliem no dia-a-dia, facilitando a independência desse grupo. A estudante conta que soube da seleção através das redes sociais que reúnem sua turma de Moda e achou que seria interessante participar. “Na disciplina de Ergonomia, meu grupo havia feito um trabalho dentro do tema da inclusão. Li o regulamento e vi que seria interessante participar. Precisaria apenas acrescentar outras coisas para enquadrar ao que era pedido”.

Para se inscrever no concurso, Íguia Telita, desenvolveu uma pequena coleção de três looks, totalizando seis peças. Atendendo as exigências da banca examinadora, ela enviou croquis (desenhos das peças), fichas técnicas (especificações do que será utilizado como costuras, tecidos e aviamentos) e seu painel de inspiração. “Me inspirei na obra de Pedro Almodóvar, especialmente no filme Carne Trêmula, que mostra a rotina de um cadeirante. A filmografia dele discute muito as questões de igualdade e decidi unir a isso o conceito de Design Universal que pensa em como incluir todos os indivíduos da sociedade, sem distinção por sexo, cor ou classe social”, explica.

LOOKS
Dos três looks enviados, Íguia teve dois selecionados e está entre um dos 16 finalistas do concurso. As peças foram pensadas para cadeirantes e cegos, utilizando cortes e tecidos que se ajustem às necessidades desses grupos. “A calça e o macacão têm o cós mais alto atrás e uma modelagem pensada para a posição sentada, com uma abertura frontal e meio lateral que auxilia no manuseio da peça. Além disso, há um elástico lateral que facilita o ajuste ao corpo. As duas blusas têm detalhes atrás que facilitam na hora de fechar, com ímãs de pressão como aqueles utilizados em bolsa. Uma delas tem uma fita de ímã e é um pouco mais curta atrás para ficar na mesma altura quando a pessoa está sentada”, descreve.

A escolha dos tecidos foi feita com base em texturas para facilitar a escolha por pessoas com deficiência visual. As calças têm elástico lateral que facilitam o ajuste ao corpo. “Escolhi tecidos fluidos, como o elastano, quem proporcionam leveza no toque que não correm o risco de machucar”.

Sonhando em trabalhar no mundo da moda desde que era criança, Íguia conta que teve inspiração de uma tia-avó que era costureira e também da mãe que costumava fazer suas próprias roupas. Quando terminou o Ensino Médio em 2011, ela frequentou cursos de Design de Moda e depois Estilismo, mas acabou indo para João Pessoa para estudar Ciência Sociais. “Quando vim passar as férias em Natal, um amigo me contou que a UnP estava abrindo o Curso de Design de Moda. Foi quando eu entrei, na verdade, na carreira que eu sempre queria ter seguido”. Atualmente, ela já está abrindo uma marca de acessórios com produtos como pochetes e brincos.