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24 de setembro de 2015 13:17

Artigo – A Arte da Guerra

Semana passada escrevi nesta coluna um breve texto sobre a importância da liderança através do exemplo. Para minha surpresa, recebi diversos comentários de diferentes pessoas a respeito do conteúdo e, de maneira extremamente espontânea, relatos individuais de “desconfortos” com a situação atual do país.

É claro que, apesar de meu objetivo primordial ter sido o debate sobre a liderança empresarial, o tema corrente do “ajuste fiscal” parece ter se sobressaído, pois as pessoas temem que o “peso do esforço” não esteja sendo corretamente distribuído entre os diversos atores de nossa sociedade.

Uma vez mais, tais reações apenas acabaram por deixar claro para mim a forte relação existente entre o “compromisso de um grupo” e o “exemplo de seus líderes”.

Esse tema, apaixonante por retratar um dos atributos mais essenciais da boa liderança, realça a difícil arte de se conquistar a credibilidade e poder utilizá-la em prol do comprometimento de todos por um bem maior. Líderes sem credibilidade estão fadados ao fracasso em tempos de crise, já que apenas um enorme esforço coletivo seria capaz de alterar o cenário negativo ao redor de sua organização.

Para atiçar minha curiosidade sobre a motivação de tantos comentários acerca do texto da semana passada acabei, involuntariamente, deparando-me com mais um ingrediente no histórico debate sobre o papel do líder em tempos de crise. Nesta semana, durante uma rápida viagem de trabalho a São Paulo, aproveitei para reler no avião o clássico livro de Sun Tzu, batizado no ocidente de “A Arte da Guerra”. Apesar de não concordar com todo o conteúdo do livro, admiro várias passagens em que, claramente, o sábio chinês consegue traduzir o ideal do comportamento de um líder nesse que poderia ser interpre-tado como seu manual da guerra.

Sendo assim, não posso deixar de compartilhar com vocês uma emblemática passagem, já na primeira página de seus treze capítulos: “O Caminho significa aquilo que faz com que o povo esteja em harmonia com seu governante, seguindo-o onde for, sem temer o perigo, a vida ou a morte”.

Vemos, uma vez mais, nessa sentença, toda a simplicidade de uma regra básica da liderança em tempos de crise: sem a harmonia, que pode ser traduzida como o resultado da confiança e da credibilidade no “Caminho” definido pelo líder, não existe união. E se não existe união, certamente não existirá a força necessária para a “batalha”.

Sun Tzu pode não ser o “oráculo perfeito” para um debate completo sobre o papel da liderança em tempos de crise. Não obstante, seria muito útil que qualquer líder tenha a humildade e entenda as ideias de alguém que, séculos antes Cristo, já os aconselhava a buscar a harmonia para obter a vitória, já que, em suas próprias palavras “para que uma guerra seja bem-sucedida, obtenha a cooperação do grupo, sejam um só”.