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3 de setembro de 2015 18:09

Artigo – Corrida para o futuro

Um recente relatório da organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) demonstra dados e fatos muito interessantes sobre a evolução do número de pessoas com Ensino Superior em uma significativa parte do mundo.

O relatório abrange os países do bloco conhecido como G20 (as dezenove maiores economias do planeta mais os países da União Europeia). Esses países representam 90% de toda a riqueza e 66% da população da Terra.

O interessante aqui é observar alguns indícios claros de como a “batalha pela liderança em capital humano qualificado” se torna cada dia mais árdua em nosso planeta.

De acordo com os dados coletados, podemos concluir que, na primeira década do Século XXI (2000 a 2010):

– O número de pessoas de 25 a 34 anos com formação acadêmica superior cresceu 64%;

– A maior parte desse crescimento veio de países em desenvolvimento.

O estudo então demonstra claramente uma significativa migração do volume de profissionais qualificados ao redor do globo. Enquanto Estados Unidos e Japão possuíam 27% dos jovens com diplomas de graduação em 2000, esses mesmos países caíram para “apenas” 21% de participação total em 2010. Nesse mesmo período, a China assumiu a liderança (com 18% dos jovens diplomados) e, junto com Índia e Rússia, já representam cerca 40% do total dos graduados entre 25 e 34 anos de idade.

O estudo também demonstra que, seguindo a tendência, em 2020, esses três países terão mais de 50% do total de jovens com diploma do Mundo.

O que tudo isso de fato demonstra? Primeiro, que é indiscutível a relação direta entra capacitação e a busca pelo desenvolvimento econômico e social. Segundo, que a maioria dos países já percebeu que essa estratégia está sendo adotada em nível global e que, portanto, quantidade e qualidade passam a ser fundamentais no tabuleiro da competição mundial.

Ter o máximo possível de jovens com acesso a uma capacitação superior de qualidade torna-se cada vez mais estratégico para o desenvolvimento dos países.

E é exatamente por isso que, percebendo o movimento e as tendências de futuro, tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia já começaram a reagir para evitar suas perdas de relevância. Recentemente os americanos estabeleceram um plano educacional arrojado, que tem por objetivo fazê-los a nação com o maior número de adultos com Ensino Superior até 2020. Isso em um país onde a penetração do Ensino Superior já é maior que a média dos países da OCDE. Por seu lado, a União Europeia fixou a meta de ter, no mínimo, 40% da sua população entre 30 e 34 anos qualificada.

Por essa ótica, podemos e devemos então questionar as recentes decisões de diminuir o ritmo de investimento na educação superior tomadas no Brasil. A corrida para o futuro está aí e não permite atrasos ou perda do rumo. Afinal de contas, o mundo inteiro já sabe disso também!