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6 de novembro de 2014 08:10

Artigo – Desaceleração?

Os recentes dados do Censo da Educação Superior 2013 revelam números impressionantes: já são mais de 7,3 milhões de universitários em nosso país, contra apenas 1,7 milhão em 1994. Por outro lado, um olhar mais atento aos números também pode mostrar tendências preocupantes.

Uma que chamou minha atenção foi a taxa de crescimento anual do total de matriculados. Em 2011, tivemos um incremento de 5,6% sobre o ano anterior. Em 2012, 4,4%, e agora em 2013 “apenas” 3,8%. É verdade que a taxa ainda segue positiva, porém, mostra claros sinais de desaceleração.

Também me preocupei com o número de novos ingressantes: pela primeira vez o volume total foi inferior ao ano anterior. Em 2013 houve cerca de quatro mil novas matrículas a menos do que em 2012. Gostaria de tentar traçar algumas hipóteses para esse último fenômeno.

Existem, de forma geral, duas grandes fontes de candidatos ao Ensino Superior: os recém-formados do Ensino Médio e aqueles que já se formaram há mais tempo e ainda não ingressaram na Universidade.

Temos, em ambos os casos, efeitos perniciosos sobre eles.

O primeiro grupo (recém-formados) sofre com um contínuo decréscimo do acesso de nossos jovens a um Ensino Médio de qualidade. Enquanto tínhamos cerca de 9,1 milhões de estudantes nessa categoria em 2003, vimos o ano de 2013 encerrar-se “somente” com 8,3 milhões. Existe uma gama de fatores que impactam nessa diminuição: alguns demográficos (como o envelhecimento de nossa população) e outros relacionados com a própria qualidade da educação em si. Esses últimos afetam o volume total de alunos através de elevadas taxas de evasão e repetência, por exemplo. Ainda mais significativo é perceber que apenas uma pequena parcela dos alunos que se formam no Ensino Médio estaria apta a ingressar no Ensino Superior – alguns especialistas chegam a mencionar taxas inferiores a 10% de estudantes qualificados para isso!

Do outro lado, o grande contingente de pessoas com mais idade e sem diploma que pode ingressar no Ensino Superior se vê atualmente impactado pela desaceleração de nosso cenário econômico. Sendo o ingresso em um curso superior um “investimento de longo prazo”, as perspectivas econômicas são fundamentais para materializar ou não a decisão de muitos potenciais candidatos.

Dessa maneira, podemos observar que o crescimento do segmento universitário depende, muitas vezes, de vetores não tão “diretos” para sua consolidação. Na argumentação acima, a melhoria da qualidade do Ensino Médio e a elevação do crescimento econômico seriam os vetores da retomada de um ritmo mais elevado da taxa de novas matrículas em nossas instituições superiores.