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17 de julho de 2014 11:50

Artigo – Deu no The New York Times (Parte 1)

O forte crescimento do segmento universitário brasileiro vem chamando a atenção de muita gente. Nesta onda de interesse, o The New York Times (NYT) publicou em seu site um instigante artigo sobre o tema.

O jornal tratou, sobretudo, dos motores deste crescimento e das instituições que alavancaram a entrada de milhões de novos estudantes em nossas universidades.
Destaco dois debates cruciais do artigo:

1. As principais fontes de crescimento no volume de alunos;
2. A participação do setor privado neste movimento (assunto a ser debatido na próxima semana).

Vamos então ao primeiro tema.

O NYT inicia a discussão sobre o aumento de estudantes universitários no período 2002 a 2012 com uma introdução sobre a dinâmica da educação superior no Brasil. Tenta também esclarecer fatos que podem parecer absurdos para quem não está acostumado à nossa realidade.

Diz, inicialmente, que as uni-versidades públicas brasileiras tendem a ser as mais prestigia-das no Ensino Superior local. Adicionalmente, informa o caráter “gratuito” dessas instituições e, de maneira surpreendente para eles, como suas vagas acabam sendo dominadas pelas classes mais abastadas do país – fruto da defasagem qualitativa do Ensino Médio público frente ao seu similar privado.

Também menciona o elevado custo por estudante das instituições públicas, concluindo ser difícil e caro promover um expressivo crescimento de vagas através dessas universidades.

Segundo o artigo, a solução para quebrar o círculo vicioso veio com a introdução dos programas públicos de acesso ao crédito (FIES) e às bolsas de estudo (Prouni). O NYT ainda dá destaque ao caráter contraditório dessa situação ao vincular tais programas aos últimos governos petistas, mencionando os papéis ocasionalmente antagônicos do partido e do setor privado local.

Finaliza tratando do possível risco existente em tais programas de fomento, que ainda deverão ser efetivamente testados quanto ao seu real potencial de inadimplência assim que os primeiros estudantes favorecidos tenham que começar a pagar os empréstimos obtidos.

Minha opinião sobre esta pri-meira parte do artigo é que o NYT conseguiu entender bem nossa situação, sobretudo na importância dos programas públicos para facilitar o acesso às universidades privadas. Por outro lado, acho que faltou aprofundar o debate sobre pontos muito relevantes que influenciam nosso atual cenário, como por exemplo, a eficiência das instituições, os altos níveis de evasão, o perfil dos nossos jovens, etc…

Indistinto das opiniões do NYT, meu interesse é salientar que qualquer debate produtivo sobre o tema pode ajudar a colocar a educação em destaque, tornando-a uma real prioridade para o nosso país.