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8 de Janeiro de 2015 15:03

Artigo – “Novas” promessas

O início do ano de 2015 trouxe o slogan “Brasil, pátria educadora” como carro-chefe do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. O discurso do novo ministro da Educação, Cid Gomes, também tenta trazer alento ao slogan, mesmo sabendo-se que tal frase já havia sido utilizada antes pela própria governante.

Analisando o que li e vi nesses primeiros dias, sigo com um certo sentimento de desconfiança nos resultados projetados pelos planos públicos.

Por um lado, entendi que, positivamente, o “novo” Governo percebeu a clara necessidade de melhorar a performance do Ensino Médio. Notou-se a relevância de implementar uma estratégia para diminuir a evasão, aumentar a harmonização dos currículos e estabelecer um conteúdo acadêmico mais flexível e atrelado às demandas do mercado e dos próprios alunos. Para tanto, debate-se, sobretudo, o tema da reforma curricular como mola mestra dessas mudanças.

Também discursou-se sobre a necessidade de “valorizar os professores”, acenando-se com revisões das remunerações e também com a inserção de avaliações dos professores para fins de progressão na carreira.

São certamente temas críticos e fundamentais para alavancar e melhorar a educação em nosso país. De onde viria, então, meu sentimento de desconfiança?

Acredito que minha sensação, um pouco mais pessimista, tenha nascido sobretudo da percepção de ausência de alguns fatos que considero críticos para uma real evolução educacional no Brasil.

Primeiro, não percebi a inserção, nesse debate, de atores fundamentais para o êxito do plano. Como e de que forma professores serão incluídos na formulação da estratégia? Sigo acreditando que um processo mais democrático e consultivo seria muito mais eficiente para nosso caso.

Segundo, tampouco percebi uma verdadeira preocupação com a interligação de toda nossa cadeia educacional. Focar no Ensino Médio é certamente algo interessante. Porém, o que fazer se os últimos anos de nosso Ensino Fundamental continuam a ter desempenhos sofríveis?

Por último, e mais preocupante em meu ponto de vista, não senti concretude no item mais crítico de todo o plano: como fazer para realmente impactar a formação e a qualificação dos professores? Sabemos que, para qualquer solução exitosa, a melhoria da qualidade e da valorização de nossos professores é, seguramente, a condição primordial em uma estratégia educacional.

Espero, verdadeiramente, que minhas primeiras impressões não estejam corretas e que nos próximos meses, possamos ver a implementação de uma estratégia completa, eficiente e participativa que comece a melhorar nossa performance educacional.

Estarei certamente acompanhando o desenrolar desse tema com esperança, mas com um olhar crítico também.