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10 de julho de 2014 11:49

Artigo – O Capital Humano

Semana passada tive a oportunidade de participar de uma palestra do economista Eduardo Giannetti para a diretoria da nossa rede Laureate. Além de falar sobre a situação macroeconômica do país, o economista também tratou do tema do “Desafio da Educação” no Brasil.

Dono de um excelente olhar analítico, o economista, que também é professor universitário há décadas, discorreu sobre temas correntes, como o 2° Plano Nacional de Educação, bem como sobre fatores históricos que determinaram o estado de nosso setor educacional nos dias de hoje.

E foi exatamente esta parte histórica e estrutural que mais chamou minha atenção.

Giannetti começa o tema com uma interessante discussão sobre Capital Físico e Capital Humano, sendo, em linhas gerais, Capital Físico igual a todo e qualquer gasto feito em infraestrutura, máquinas e outros ativos necessários para a produção. Por outro lado, os gastos feitos em capacitação, educação e treinamento formariam a síntese do Capital Humano.

Para ele, infelizmente, o mundo tende a considerar como investimento apenas os desencaixes em Capital Físico, enquanto o Capital Humano seria tratado apenas como um gasto corrente.

Este efeito, além de não incentivar os investimentos em Capital Humano, também dificulta a obtenção de dados e estatísticas confiáveis sobre o tema.

Apesar disso, ainda podemos facilmente concluir que o Brasil tem historicamente negligenciado a formação de seu Capital Humano. O economista menciona nossos péssimos resultados na avaliação Pisa e no processo de universalização do ensino fundamental (um século de atraso em relação aos EUA) para exemplificar sua conclusão.

Seu próximo argumento foi para mim, porém, o mais brilhante de toda a sua excelente explanação. Para Giannetti, nenhuma melhoria estrutural poderá de fato ocorrer sem a inserção da família no debate sobre a educação.

Para ele, é fundamental solidificar a cobrança, o estímulo e a atenção de pais e de toda a sociedade sobre a performance acadêmica de cada escola e de todo o sistema educacional brasileiro.

Concluí com uma frase forte e motivadora: “sonho com um JK no Capital Humano”, sinalizando a necessidade de se criar na sociedade brasileira o desejo de educação de qualidade assim como se criou o sonho da industrialização nos anos 60.

Concordo plenamente com suas palavras! Em meu ponto de vista, devemos necessariamente incrementar nossos investimentos em Capital Humano e, ao mesmo tempo, fomentar a participação de nossa sociedade no debate e na cobrança dos resultados de tais investimentos.

Afinal de contas, como já dizia o economista Alfred Marshall (1842-1924): “o mais valioso de todos os capitais é aquele investido no ser humano”.