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24 de dezembro de 2015 19:16

Artigo – Promessa Cumprida: Caim, Porter e Platão

Todos os anos repetimos o hábito de fazer promessas para o ano que se inicia. Alguns prometem parar de fumar; outros emagrecer. No meu caso, tenho o costume de estabelecer alguns objetivos: viagens com a família; corridas de rua; metas de trabalho… Adicionalmente, planejo sempre ler, no mínimo, doze livros a cada ano.

Apesar da leitura ser um dos meus grandes prazeres, busco ter um compromisso formal com ela, pois o cotidiano atribulado da vida moderna acaba por “comer nosso tempo” e nos deixa órfãos de muitos de nossos prazeres, sobretudo aqueles mais simples e usuais.

Semana passada resolvi fazer uma rápida retrospectiva da evolução de minha biblioteca particular em 2015. Para minha grata surpresa, consegui lembrar-me de pelo menos 15 novos livros devidamente devorados nesse curto espaço de tempo.

Devo admitir que dois fatores tiveram bastante impacto nesse resultado. O primeiro foi minha volta à docência. Preparar aulas de Estratégia para nossos alunos de pós-graduação forçou-me a mergulhar novamente no mundo dos clássicos dessa arte. Rever Porter e Kaplan despertou-me um misto de alegria e nostalgia. Regressei, mentalmente, aos meus tempos de estudante em Campinas e Lausanne quando tentava absorver o conteúdo desses fascinantes autores e, para minha felicidade, percebi como parte de seus ensinamentos tornaram-se prática nas décadas já acumuladas de minha vida profissional. Também gostei de ler novos autores e suas metodologias, sobretudo a proposta de modelo de negócios em Canvas de Osterwalder e seu exército de coautores colaborativos.

O segundo fator incrementador de minha leitura em 2015 foi meu regresso aos estudos, pois decidi matricular-me no curso de Pedagogia da UnP.

Apesar do curto tempo, pois matriculei-me no segundo semestre, pude ter contato com um novo e fascinante mundo de pensadores que escrevem e teorizam sobre o poder transformador da educação. Livros de Filosofia tornaram-se deliciosas companhias de meus sábados à tarde em Pirangi, onde Platão, Foucault e uma boa garrafa de vinho combinaram-se harmonicamente e embalaram deliciosos debates com minha esposa e amigos. A densidade dos escritos de Piaget e Vygotsky também despertaram minha curiosidade para a complexidade da mente humana em seu fascinante processo de aprendizagem.

Por último, não posso me esquecer dos momentos onde a leitura reinou absoluta: oito livros escolhidos apenas por curiosidade para meus momentos de lazer. Foram viagens e emoções inesquecíveis, seja através de novos e destemidos autores, como a jovem estudante potiguar Stefany K. e seus contos cheios de um certo despudor “bukowskiano”, ou autores clássicos, como Vassili Grossman e o fantástico Jose Saramago, que me levaram desde uma União Soviética em guerra e tomada pela mão-de-ferro comunista até passagens bíblicas, vistas com os olhos de um Caim irônico e surreal.

Enfim, ler é uma atividade ativa e transformadora e que deve ser praticada constantemente, pois aumenta nosso conhecimento e entendimento do mundo que nos cerca. Sendo assim, mal posso esperar para ver quais novas páginas se abrirão diante de mim nesse 2016 que começa!