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25 de dezembro de 2014 14:52

Artigo – Um sonho de Natal

Ainda era muito cedo, mas nossos dois filhos pequenos pularam em nossa cama e nos levaram correndo, ansiosos, para a sala. Eu e minha esposa sorrimos ao ver os olhinhos deles brilhando com os presentes que “Papai Noel” havia deixado embaixo da árvore de Natal.

Meu filho mais velho, que começara sua alfabetização nesse ano, fez questão de ler os cartões e distribuir os presentes espalhados pelo chão. Antes de terminar, ele ainda encontrou um último pacote, escondido no fundo da árvore natalina: “Do Papai Noel para meu Papai”, leu e trouxe sorridente o presente para mim.

Eu ri, encarando minha esposa, acreditando que se tratava de uma surpresa feita por ela. Enquanto os meninos divertiam-se desembrulhando seus presentes, eu sentei na varanda, com um copo de café quente, e abri o tal “presente do Papai Noel”.

Era um livro, de capa grossa e escura. Olhei ao redor e percebi que minha esposa estava na sala, entretida com os meninos. Tomei mais um gole de café e abri a primeira página: “Censo da Educação Superior Brasileira – ano 2025”.

Imaginei, no mesmo momento, o trabalho que havia dado à minha esposa fazer aquela brincadeira comigo. Resolvi entrar no jogo e comecei a folhear despretensiosamente o livro. O papel era de altíssima qualidade e trazia uma tecnologia digital e interativa que eu jamais havia visto. Gráficos e tabelas surgiam diante de mim e eram alterados automaticamente seguindo o movimento dos meus olhos sobre o texto das páginas. “Alcançando o desenvolvimento social pleno” era o título do 1° capítulo. Comecei a lê-lo, fascinado pela surpresa e pelo conteúdo em minha frente. Ansioso, decidi então buscar a parte final e me assombrei com o que lia:
“As melhorias contínuas e sólidas do Ensino Básico e Médio foram os motores do incremento no volume e na qualidade dos cursos superiores no Brasil na última década” e “O ciclo virtuoso de educação e crescimento social & econômico levou o país ao patamar de potência global” foram apenas algumas das sentenças que devorei com prazer. Meu café já havia esfriado e meus olhos estavam cheios de lágrimas ao ver a conclusão final: “Atualmente o Brasil possui uma sociedade justa, educada e desenvolvida, condizente com as demandas de um país do primeiro mundo”.

Gritos felizes infantis acabaram por me despertar, tirando-me de meu estado de torpor e, nesse exato momento, acordei, com meus filhos pulando sobre nossa cama, ansiosos pelos presentes de Natal. Fomos para a sala e, dessa vez, não havia nenhum presente surpresa do “Papai Noel” para mim…

Mesmo assim, apreciando a inocência e a felicidade de meus filhos com seus novos brinquedos, percebi que minha esperança havia se renovado e que, certamente, se fizermos nossa parte, um dia ainda verei, em um Natal não tão distante, o meu sonho realizado.