Acessibilidade

Central do Candidato: (84) 4020-7890 / Central do Aluno: (84) 3227-1234 +

+

5 de Fevereiro de 2015 18:13

Artigo – Auschwitz e a tolerância

27 de Janeiro de 2015 marcou o aniversário de 70 anos de libertação do campo de extermínio de Auschwitz. É possível, também, que nesse mesmo dia o piloto jordaniano Muath al-Kasaesbh tenha sido queimado vivo pelo autoproclamado “Estado Islâmico”. Seguramente outras centenas ou milhares de seres humanos foram torturados física ou mentalmente, seja na Nigéria, no Brasil, na França ou em qualquer outro país do nosso vasto planeta, apenas por representarem uma “diferença” não aceita por seus agressores.

Ano passado tive a oportunidade de conhecer a Polônia e, junto com minha esposa, fiz questão de ir a Auschwitz prestar minha homenagem as milhões de vítimas dizimadas naquela terrível máquina de carnificina humana. Não foi, seguramente, um programa agradável no meio das minhas férias. Fazia frio, chovia e as cenas e imagens dolorosas daquele local certamente ficarão para sempre em minha memória.

Pode parecer incrível, mas esse era exatamente o meu objetivo!

Saí de lá abatido, mas convencido da necessidade de sempre tentar manter viva a lembrança do que somos capazes como seres humanos. A linha tênue que separa nossa solidariedade e nossa bestialidade é parte de nossa própria natureza.

Auschwitz talvez seja um ponto fora da curva apenas pela absurda eficiência dessa barbárie. A verdade é que a motivação do ódio e do desprezo pelo próximo reina em nossa intolerância a tudo aquilo que discordamos e pode ser, a qualquer momento, alimentada pelas chamas de clamores de massa em temas controversos como, por exemplo, religiões, crenças sociais, nacionalismos e, até mesmo, paixões futebolísticas.

Por outro lado, também habita dentro da maioria de cada ser humano um espírito solidário, necessário para a própria sobrevivência de nossa espécie. Alinhado a isso, portamos o único e fantástico poder da consciência, que nos permite inteligentemente julgar e escolher nossos caminhos.

Como educadores, temos a missão de fomentar exatamente esse nosso outro lado. A tolerância às diferenças deve ser parte de nossa vivência escolar. Devemos fazer com que nossas crianças respeitem uns aos outros. Temos a missão de explicar que o direito de debater jamais deva ser confundido com intolerância e desrespeito. Também sabemos que ensinar através de exemplos reais sempre incrementa a compreensão do conteúdo. Devemos, então, expor nossos alunos às diferenças e fomentar o diálogo entre as partes. Adicionalmente e sempre que necessário, devemos também tocar nas feridas do passado para mostrar o quão longe já fomos e como seguimos passíveis de cometer novamente os mesmos erros. Assim espero que os inocentes mortos em Auschwitz jamais sejam esquecidos, bem como todos que pereceram na limpeza étnica na Bósnia, em Ruanda, na Nigéria, no 11 de setembro, em nossos estádios de futebol, nos porões dos navios negreiros…