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23 de setembro de 2011 16:21

Entrevista com Thiago Gonzaga dos Santos

O Prêmio Literário Revelação “O trem da minha vida”, instituído pelo Curso de Letras da UnP e pelo PET Literatura do Rio Grande do Norte, destina-se a distinguir, anualmente, uma poesia inédita de alunos da Universidade Potiguar. Thiago Gonzaga do Santos, aluno concluinte do curso Letras, foi o vencedor do concurso e conversou sobre poesia com Larissa Pereira Soares e Thalita Soares Machado, alunas da 4a série de Letras e bolsistas do PET Literatura do Rio Grande do Norte.

PET – Como você define sua a poesia?
Thiago – Na verdade, eu não sou poeta, sou amante da poesia. Então por gostar de poesia, eu me atrevo, algumas vezes, a escrever. Eu gosto principalmente de poetas do RN, e acredito que a poesia a gente aprende a fazer lendo, então à medida que eu vou lendo, vou conhecendo mais, aí me dá vontade de escrever algo parecido.

PET – Faz muito tempo que você escreve poesias?
Thiago – Na verdade, não. Eu escrevo há pouco tempo e também descobri a poesia há pouco tempo. Então a descoberta da poesia, principalmente a norte-rio-grandense, fez com que eu também fosse me descobrindo, descobrindo meus dotes. Minha vontade de colocar alguma coisa para fora é mais recente.

PET – Como foi que surgiu essa vontade de escrever poesias?
Thiago – Eu gosto muito de literatura do RN. Comecei a ler e aos poucos comecei comprando livros e fui descobrindo que aqui temos autores e poetas muito bons. Foi aí que surgiu a vontade de escrever. Eu pensava “se eles são da terra e escrevem assim, então eu acho que também poderia escrever como eles”. Sempre quis escrever algo.

PET – Quais são as suas influências?
Thiago – Tenho várias… A influência maior não é só da poesia, mas da própria literatura. Foi com o livro de Clotilde Tavares que eu me apaixonei por poesia e literatura, o primeiro livro dela lançado em 1987. Então com o tempo fui conhecendo outras pessoas como João Gualberto que tem um livro sensacional chamado Máquina de lavar poemas. Depois, conheci outros poetas e poetisas como Diva Cunha, Marize Castro, Franklin Jorge, Lourival Açucena, entre outros.

PET – Se comparasse a produção poética da década de 1980 com a atual, o que diria sobre poesia?
Thiago – Eu acho que a poesia dos anos 70/80, em Natal principalmente, merecia ser mais estudada. Por sinal, tem um livro que reúne essa história poética dos anos de 1970 e 1980 de Natal (Geração Alternativa, Antilogia Poética do RN do J. Medeiros). Os poetas dessa época iam contra o sistema, radicalizavam a poesia, reclamavam da política, reclamavam do meio social, era uma poesia mais anarquista. No próprio livro, eles deixam bem claro que a poesia deles era anarquista, revolucionária e que estavam trazendo uma coisa nova, faziam um protesto através da poesia.

PET – Conte-nos um pouco sobre o seu poema “Bilhete Suicida”.
Thiago – “Bilhete suicida” foi uma homenagem ao livro de Clotilde Tavares. Foi ela quem me inspirou a conhecer a poesia do RN. “Bilhete Suicida”, na verdade, foi uma construção, porque já fazia mais de um ano que eu vinha fazendo o poema e sempre achava que não estava bom. Quando vi que estava bom, faltava apenas o titulo, aí eu pensei em homenagear quem primeiro me deu essa vontade de escrever, de fazer poesia. O nome do livro de Clotilde Tavares é Bilhetes de suicida, então eu coloquei “Bilhete Suicida”, é claro que tive influência também do segundo livro de Ana de Santana Em nome da pele, de que eu gostei bastante.

PET – Como se dá o seu processo de criação?
Thiago – Basicamente é isso mesmo… é lendo, lendo cada vez mais, lendo coisas novas, buscando. Apagando e construindo novamente.

PET – Nesse processo, quando você diz que vai construindo e quando não gosta, apaga… Você não tem medo de no final a poesia ser outra, fugir da idéia inicial?
Thiago – É verdade, corro esse risco também, mas assim como a poesia é uma coisa subjetiva, de repente pessoas podem se identificar ou não. No caso do poema “Bilhete Suicida”, nem era o meu melhor, mas coloquei-o talvez por ser curto e, ao mesmo tempo, por homenagear Clotilde Tavares. Mas corro o risco de no final não ficar satisfeito com aquilo mesmo. Enfim, eu acho que se não tivesse colocado agora esse poema para concorrer, com certeza eu iria fazer outras modificações.

PET – Poesia é algo necessariamente atrelado à emoção ou pode ser estritamente racional? É possível “poetar” sem se sensibilizar?
Thiago – Embora eu estivesse mais ligado à emoção, hoje já enxergo diferente. Para mim a poesia é mais racional mesmo. Eu tive a experiência de escrever sem emoção em alguns momentos, isso inclusive eu aprendi no curso de Letras. Eu faço mais poesia pelo lado racional, tanto é que para fazer poesia, cada dia você vai escrevendo, rascunhando, construindo até ela ficar pronta ou até chegar o ponto que estiver melhor para você.