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19 de junho de 2015 17:39

Estudante supera limitações para realizar sonho

“Prender os culpados e soltar os inocentes”. Essa era a profissão dos sonhos de uma criança de 6 anos de idade. Cristian Emanuel Oliveira de Vasconcelos, hoje com 24 anos, cresceu sem deixar de lado o sonho de criança, e na tarde do dia 17 de junho, concluiu mais uma etapa para alcançar a profissão que sempre quis. Ele apresentou seu Trabalho de Conclusão de Curso, um dos critérios para obter o título de bacharel em Direito. Até aí, a história não é diferente de tantas outras, mas esse personagem especificamente fez mais do que dar um passo rumo ao diploma do Ensino Superior, ele superou a si mesmo. Cristian, além de ser um dos estudantes mais dedicados da Universidade Potiguar, integrante da rede Laureate, é portador de deficiência visual e física, paralisia cerebral e dificuldades motoras.

Com o tema “Os portadores de deficiências e o cumprimento da pena privativa de liberdade no sistema prisional de Natal/RN”, Cristian Emanuel apresentou seu TCC para a banca formada pelo Professor Thiago Fonseca, Coordenador do Curso de Direito da Unidade Roberto Freire; Professor e Orientador de TCC, Filipe Maux; Dr. Mario Jambo, Juiz de Direito; e o Professor Bergson Queiroz, Coordenador do Núcleo de Apoio Psico-pedagógico – NAPe da UnP. Também assistiram a apresentação, amigos, família, e a convidada, Giovanna Pinheiro, Vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, da OAB/RN.

Apresentando um tema de grande relevância, mas pouco discutido, Cristian considera que seu TCC tem como objetivo provocar uma reflexão e despertar a atenção da sociedade e das autoridades para a falta de condições do sistema prisional em abrigar portadores de deficiências físicas. “O estado não vê uma pessoa deficiente como alguém que irá cometer um crime, mas quando ela comete, deve pagar da mesma forma que as pessoas sem deficiências, com dignidade”. A falta de acessibilidade e a ausência de profissionais da saúde que possam prestar assistência específica ao apenado com deficiência, e a ausência de um projeto de ressocialização após a soltura dessas pessoas, são algumas das falhas encontradas pelo estudante no sistema prisional.

Com uma vida marcada pelo amor e superação, o concluinte de direito tem uma história que merece ser contada, e quem fala um pouco sobre ela é Nilda de Oliveira e Silva, mãe de Cristian. Emocionada, ela fala que ainda na gravidez ouviu de um médico que seu filho seria anencéfalo e que dar continuidade a gestação poderia causar risco de morte para ela. Nilda não hesitou e prosseguiu com a gravidez, dando a luz à Cristian aos cinco meses de gestação. Após seu nascimento, os primeiros meses foram difíceis, mas com o tempo a família foi se adaptando a rotina de cuidados que a então criança necessitava. De lá para cá, o menino se transformou em um homem, bem-humorado e determinado. Concluindo a Graduação, Cristian já sabe o próximo passo: advogar durante três anos e depois prestar concurso para promotor, seu maior sonho.