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3 de Março de 2016 18:05

Artigo – Global sem sair de casa!

Ainda me lembro, em meus tempos de moleque, de passar horas admirando um Mapa Mundial de um velho livro de Geografia. Lembro-me de, em folhas em branco, tentar reproduzir as bandeiras dos países e sonhar com o que existiria naquelas terras longínquas. Sou de uma geração que cresceu sem internet, em um país relativamente fechado e com pouco acesso à informação. Assim mesmo, o “diferente” me fascinava. Outros povos, culturas e paisagens faziam parte do meu ilimitado imaginário infantil. Cresci e, para minha felicidade, pouco mudei!

No meu processo de amadurecimento, pouco a pouco, comecei a aproveitar o crescente processo de globalização que transformou nossa humanidade nas últimas décadas. Na adolescência, tentava aprender inglês de uma forma autodidata, pois não tinha dinheiro para pagar pelos cursinhos que começavam a se proliferar. Também tentava fazer proveito do aumento do fluxo de informações internacionais, fosse via televisão ou através de revistas.

Demorei mais de 20 anos e muito esforço próprio para, com apenas uma mochila nas costas e uma carteira quase vazia, aventurar-me em minha primeira viagem internacional.

Na sequência, aproveitei a abertura econômica de nosso país e já em meus primeiros anos de trabalho profissional, envolvi-me com diversos projetos que me enviaram para fora do Brasil, incluindo quase dois anos de trabalho na Alemanha.

Lembro-me também do esforço que foi coletar dados e fazer o processo seletivo para um MBA no exterior. Isso há menos de vinte anos atrás!

Atualmente, inconscientemente, sigo tomando proveito da “aldeia global” onde vivemos. Recentemente, durante o trabalho, tivemos videoconferências com nosso pessoal nos Estados Unidos e falamos sobre a implementação de projetos atualmente em desenvolvimento no México e na França. No horário do almoço, troquei mensagens no Whatsapp com amigos no Reino Unido, Suécia, Japão e Colômbia. No domingo à noite, assisti a estreia da sexta temporada de uma série televisa apenas 15 minutos após seu lançamento oficial nos EUA.

Enfim, “sem sair de casa” tive acesso, em minha vida profissional e pessoal, à muitas coisas que estão acontecendo a milhares de quilômetros de distância de Natal. Aquele menino que, décadas atrás, tinha que imaginar o mundo apenas através de um desenho colorido do mapa mundial ficaria certamente maravilhado com essa nova existência.

Não sei se os jovens de hoje têm claro o tesouro e o potencial que possuem em suas mãos. Porém, a verdade é que as fronteiras estão caindo em uma velocidade nunca antes vista. O potencial para o desenvolvimento profissional e pessoal amplia-se drasticamente. Fechar-se em nossas próprias fronteiras não faz mais nenhum sentido e, certamente, será desastroso para aqueles que verão seus similares aproveitando-se dessa vastidão de conhecimentos, negócios e contatos que a nova aldeia global proporciona. E então, vocês estão dispostos a encarar essa viagem?