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28 de junho de 2017 14:54

Graduandos de Engenharia Civil falam sobre Natal e a segunda guerra em TCC

A segunda guerra mundial e a Engenharia Civil foram temas do trabalho de conclusão de curso de graduandos do curso de Engenharia Civil da Universidade Potiguar (UnP), apresentado na segunda-feira (27). Com o tema: 75 anos da engenharia norte-americana em Natal na Segunda-Guerra Mundial, o trabalho apresentou o resgate da história da engenharia potiguar relacionado com a guerra e o legado deixado na capital.

Os alunos da décima série do curso de Engenharia Civil, Leonardo Dantas e Osvaldo Pires, iniciaram a pesquisa há cerca de um ano, quando começaram a reunir documentos do governo brasileiro e do Corpo de Engenheiros do Exército Americano, além de livros sobre a importância de Natal para a segunda guerra. Ao todo, foram abordadas quatro obras remanescentes do período, executadas por técnicos norte-americanos com mão-de-obra natalense: a base aérea de Parnamirim Field, a base hidroaviões do Rio Potengi “Rampa”, a pista ou Natal highway e o pipe-line.

Segundo Leonardo, uma das maiores dificuldades e resultados do trabalho foi o esclarecimento acerca da relação entre as entidades civis e militares americanas com o Governo do Brasil e a população local. “Quando as obras foram iniciadas, tinham um objetivo velado, pois eram civis com fins militares. Apesar do Brasil e EUA não estarem em guerra, havia a necessidade de abastecer os aliados que combatiam na África e Europa, com aeronaves passando por Natal”, comentou.

Leonardo explicou que o TCC conseguiu informações que confirmam a presença de militares disfarçados de engenheiros civis naquele período. De acordo com ele, o cenário colocou a cidade primeiro na guerra do que o restante do País. “Quando o Brasil declara guerra aos alemães, as obras em Natal já tinham sido iniciadas, sendo inauguradas em 1942. Além das bases militares, os americanos executaram obras estruturantes, como a primeira pista asfaltada do RN e uma linha de abastecimento de combustíveis subterrânea, inédita no Brasil”, afirmou.

Osvaldo Pires relatou que os engenheiros tiveram inúmeras dificuldades em Natal, principalmente pelo clima de guerra. “As obras tiveram que ser aceleradas e concluídas em tempo recordes. Projetos foram modificados para atender as necessidades militares e mesmo assim foram concluídos com sucesso. Os engenheiros tiveram que lidar com o risco de bombardeios, sabotagens e espionagens”, detalhou.

Para a Professora de TCC Thalyta Mabel e membro da Banca, o trabalho apresenta um importantíssimo e inédito resgate histórico referente a nossa cidade como também as técnicas utilizadas na construção civil.

O orientador do trabalho, o professor Giovanni Maciel afirmou que existe a possibilidade ampliar a pesquisa e tem incentivado os alunos a continuarem no tema, com a perspectiva de lançarem o livro para celebrar a data dos 75 anos.

CURIOSIDADES DA ENGENHARIA DURANTE SEGUNDA GUERRA

  • A área de asfalto de Parnamirim Field dava para fazer uma pista com 160 quilômetros de extensão, com sete metros de largura;
  • O pipe-line tinha condições de armazenar 400 mil litros de combustível e um fornecimento diários de 100 mil litros;
  • Os operários executaram uma média 1.090 metros de tubo ao dia, concluindo os 24 quilômetros do pipe-line em 22 dias;
  • As obras da pista e de Parnamirim Field ocorreram 24 horas por dia, por um período de até 06 meses;
  • Engenheiros do Exército dos EUA estiveram em Natal em missão secreta no período pré-guerra.