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2 de outubro de 2014 19:15

Imperdível: Um grande ‘tradutor’ de filosofia e ética no Congresso Científico da UnP

Assistir uma aula ou uma palestra do professor Clóvis de Barros Filho é abrir forçosamente a cabeça para o livre pensar. Ele não economiza naquela densidade característica dos acadêmicos e, sim, usa e abusa das ideias de muitos filósofos, mas neste particular faz um trabalho de sedução. Isto porque uma apresentação do professor Clóvis pode pecar por excesso de informação ou por exercícios de conexão entre teorias complexas, mas nunca será chata ou enfadonha.

O professor domina a arte do burlesco – consegue arrancar gargalhadas da plateia mesmo quando fala da tragédia grega. Um humor simultaneamente corrosivo e raso, que se conecta às expressões que todos reconhecem por terem lido em algum lugar, quem sabe num comercial popularíssimo? Aliás, Clóvis é pop. Os alunos o adoram, seja na Universidade de São Paulo ou na Escola Superior de Propaganda e Marketing, ou ainda na Casa do Saber, concorrido espaço na capital paulista para aulas e palestras de intelectuais que estão no topo do prestígio. É autor de mais de dez livros que falam de filosofia aplicada ao cotidiano, de ética, comunicação, política, consumo.

Eu o conheci em 2006, quando estava na reta final da minha dissertação de mestrado em História da Ciência pela PUC-SP. Como a minha pesquisa utilizava, como uma das principais bases teóricas, a visão de ética proposta ainda no século IV a.C pelo filósofo grego Aristóteles, o professor Clóvis me foi apontado como um grande especialista na visão aristotélica que terminou por impregnar de modo definitivo a visão de ética e de concepção filosófica de mundo.

Uma rápida conversa e um café na cantina da ESPM definiram meu ingresso no universo acadêmico do professor Clóvis. Tornei-me aluna especial dele no curso de graduação em Relações Públicas na USP, no segundo semestre daquele ano, e passei a fazer imersões semanais no universo da filosofia clássica. Além do aprendizado denso e consistente, que me ajudou muitíssimo no manuseio das ideias do discípulo de Platão, os encontros eram divertidíssimos. Enfim, a palestra de abertura deste XVI Congresso Científico é simplesmente imperdível! Só lamento estar em um congresso na ESPM na mesmíssima data desta palestra para ficar na lembrança de quantas a ouvirem.

Stella Galvão, professora da Escola de Comunicação e Artes