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22 de setembro de 2014 16:49

Jornalista sobrevivente que cobriu conflito na Síria palestra na UnP

O jornalista pernambucano Klester Cavalcanti – que em 2012 esteve na Síria cobrindo o conflito do país, mas acabou capturado e torturado pelo governo sírio – esteve no dia 18 de setembro no auditório da Unidade Roberto Freire para dar uma palestra para os alunos do curso de Jornalismo, Recursos Internacionais e professores convidados. O palestrante esteve na UnP a convite de Cristina Vidal, Coordenadora do curso de Jornalismo, e conversou com os presentes sobre suas experiências jornalísticas; em especial sua estadia no país, que geraram os fatos relatados no livro “Dias de Inferno na Síria”.

Durante o bate-papo, Klester, como sobrevivente de uma experiência que ele mesmo julgou “infernal”, também incentivou aos alunos que buscam a profissão a não ter medo de seguir seus desejos, e a tentar sempre estar no lugar em que está acontecendo a notícia, apontando como necessário para uma boa formação profissional. Outras dicas e conselhos foram dados pelo palestrante enquanto se colocava a disposição para responder diversas perguntas feitas pelos alunos.

Confira algumas das perguntas feitas a Klester:

Se surgisse a oportunidade de cobrir uma nova guerra, você aceitaria?
“Sem dúvida alguma, inclusive já estou articulando para voltar para a Síria num futuro próximo, sempre buscando retratar o lado humano da guerra. Com os contatos que adquiri durante a primeira viagem, seria mais fácil dessa vez entrar lá”.

Após sua experiência na Síria, a sua visão da vida mudou?
“A minha visão da vida não mudou muito, mas foi fortalecida quando viajei para Síria. A única certeza que o homem tem é a morte, e por isso é preciso que não se caia na mesmice e na infelicidade se viva plenamente todo dia, dedicando-se aquilo que se ama”.

O que te serviam para comer enquanto você esteve preso? Já surgiram convites para realização de documentários sobre sua experiência?
“Comíamos de manhã, tarde e noite sempre a mesma coisa, numa bacia ao chão: pão sírio com ovo, que nós mesmos precisávamos comprar. Quanto a bebidas, apenas uma água suja. Quanto aos convites, há interesse em se produzir um filme baseado na história retratada no meu livro que provavelmente será lançado no ano que vem”.

Considerações finais
“O jornalismo é mais dedicação e força do que talento. Muitas pessoas tentaram me convencer a não ir para a Síria, mas eu não cedi. Cheguei lá, sofri, mas no fim valeu a pena para mim como profissional e como pessoa. Continuem se dedicando, conheçam as facetas da profissão, que com certeza será útil lá na frente, uma vez que vocês terão o diferencial de maior bagagem”.

Ao final do encontro, Klester Cavalcanti, agradeceu o convite, posou para fotos com os alunos e professores, e autografou exemplares de seu livro.

Confira os melhores momentos da palestra de Klester Cavalcanti: