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31 de dezembro de 2015 19:21

Artigo – O que esperar de 2016?

31O que esperar do ano que se inicia? Mais um ano difícil e complicado pela frente? Novas crises políticas e econômicas? Ou a possibilidade de criar e aproveitar eventuais oportunidades que venham a aparecer no cenário desafiador brasileiro? Muitas são as alternativas e torna-se bastante complexo especular o que poderá ocorrer com nosso país e com cada um de nós em um ambiente tão instável quanto o que vivemos atualmente.

De qualquer maneira, mais do que fazer exercícios de “futurologia”, peço que tomemos esse momento para refletir sobre o que podemos mudar, baseados naquilo que fizemos de errado em 2015. Em meu ponto de vista, entre tantos erros que cometemos no ano que se encerra, elejo aquele que mais me incomodou: a tentativa de manipulação das pessoas.

Os debates que dominaram a cena política e econômica nos últimos meses demonstraram uma radicalização extrema e pouco vista por aqui. Governistas e oposicionistas utilizaram-se de argumentos e teses, na maioria das vezes, focando-se apenas na propagação da difamação e do ódio. Radicalizações passaram a ser defendidas de maneira inconsequente e generalizações transformaram um lado em um bando de vilões e corruptos, enquanto a outra parte da população era taxada de alienada, egoísta e golpista. Discussões suscitaram o rancor e a ruptura entre amigos e entre grupos “rivais”. O grande problema em tudo isso é que, baseado em estratégias nada inocentes, as pessoas foram manipuladas para acreditar que temas menos relevantes fossem o fator crucial para definir o desenvolvimento ou não de nosso país.

“Formadores de opinião” utilizaram-se de exemplos pontuais e, estatisticamente, bastante duvidáveis, para pregar suas opiniões para jovens sedentos de saber. A neutralidade e o fomento do pensamento livre passaram a ser cada vez mais ignorados, fosse de forma inconsciente ou, em certos casos, de maneira bastante planejada e direcionada pelos interesses da ideologia pessoal de profissionais que deveriam zelar pela formação de indivíduos que possam pensar pela sua própria conta.

Do outro lado, os mesmos jovens foram massacrados por gênios do marketing e por uma parcela da imprensa que pintava a imagem de seus “opositores” com cores gritantes de escândalos, fossem reais ou não. Interesses escusos também pairavam ao redor de tais pregações, afinal de contas, como a história mundial já mostrou por diversas vezes, é sempre mais fácil arregimentar seguidores através da criação de inimigos e, assim, colocar uma cortina de fumaça sobre os problemas reais. No meio desse tiroteio insano perdemos todos, tenham certeza.

O que fazer então para escapar dessa armadilha da pregação dos “extremos”? Haveria saída para nossa população e, sobretudo, para nossos jovens não serem manipulados como marionetes nesse teatro de horrores?

Sabemos que aos manipuladores não lhes interessa mudar, muito pelo contrário, pois já se encontram de tal forma envolvidos nesse jogo que suas próprias reputações estão todas sobre a mesa. Sendo assim, caberia à nós desenvolver nossa própria capacidade de defender-nos dessa saga manipuladora. Como? Através do conhecimento! E é isso que desejo para 2016: que cada um de nós possa pensar por si próprio!

Ler, escutar, estudar e analisar com profundidade todos os argumentos e pontos de vista é fundamental. Não acreditar no simplismo da dualidade, onde o mundo é pintado apenas como sendo pontilhado por dois argumentos excludentes, torna-se condição primordial para a busca de soluções mais reais e eficientes.

Que em 2016 não nos deixemos levar por manipuladores, seja de qual lado estejam, é o meu desejo de ano novo. Somente assim seremos capazes de limpar toda essa lama e fumaça que estão nos empurrando, e buscar as respostas corretas para os problemas que teremos pela frente.