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18 de julho de 2017 10:35

Pesquisa sobre microcefalia será realizada no RN

Após publicação de artigo de professor do curso de Medicina da UnP, hipótese será investigada em estudo internacional

A prevalência da microcefalia em pequenos municípios brasileiros, significativamente mais alta que nos mais populosos, tem levantado entre pesquisadores a suspeita de que fatores ambientais existentes no campo podem estar relacionados às malformações observadas em bebês após a infecção das mães pelo Zika vírus. Essa é a hipótese levantada em um artigo publicado este mês de julho no SciFed Virology Research Journal da Scientific Federation e assinado pelos professores Ion de Andrade, da Universidade Potiguar (UnP) integrante da Rede Laureate, e Massimo Giangaspero, da Universidade de Teramo, na Itália. Ainda neste semestre, a publicação resultará em uma pesquisa maior que tem o propósito de aprofundar as investigações.

Médico com Doutorado em Ciências da Saúde/Medicina II, o prof. Ion de Andrade afirma que os números da epidemia de microcefalia registrados no final de 2015 no Brasil se mostram assimétricos quando avaliados por localidade: as cidades com menos de 50 mil habitantes possuem proporcionalmente 4,6 vezes mais casos do que aquelas com 100 mil habitantes. “Isso nos fez levantar a hipótese de que um cofator presente no meio rural pode atuar conjuntamente com o Zika vírus”, explica.

De acordo com o artigo, em análises de tecidos de fetos infectados pelo Zika vírus, foi identificado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a presença de um segundo micro-organismo: o vírus da diarreia bovina (BVDV). “Apesar de comumente não causar malformações em humanos, esse segundo patógeno é responsável por anomalias em bezerros que se assemelham às encontradas em bebês com microcefalia. Essa associação é uma das hipóteses a serem testadas na pesquisa”, esclarece o professor.

Para investigar mais profundamente a suspeita, uma pesquisa apoiada por diversas instituições internacionais – incluindo a UnP – será realizada. Ainda não há uma data precisa para o início dos estudos, mas Andrade acredita que ainda neste segundo semestre de 2017 o trabalho deverá ser iniciado com a participação ativa da nossa universidade.

Os resultados poderão trazer diversos benefícios para a população. “Qualquer conhecimento sobre os mecanismos de transmissão ou instalação das doenças nas pessoas pode ensejar novos tratamentos ou novos métodos preventivos. O conhecimento abre também pistas para novas leituras da realidade conhecida até então fazendo a ciência ir além”, acrescenta.