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Estudo revela combinação molecular que reduz significativamente a sobrevida em pacientes com câncer do colo do útero

A pesquisa identifica um conjunto de fatores moleculares que afetam de forma decisiva a sobrevivência de pacientes com câncer de colo do útero.

O professor Dr. Ricardo Cobucci, docente do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGB) da Universidade Potiguar (UnP), integra a equipe responsável por um estudo inovador publicado na revista internacional Advanced Biology (Wiley, fator de impacto 2,6). A pesquisa identifica um conjunto de fatores moleculares que afetam de forma decisiva a sobrevivência de pacientes com câncer de colo do útero.

O artigo, intitulado “FOXP3 Polymorphism and Upregulation of the CXCL12-CXCR4-SNAIL Axis with High Infiltration of M2TAM by STAT3/NFKB Pathways Influence the Survival of Cervical Cancer Patients” é fruto de uma colaboração liderada pelo Laboratório de Pesquisa em Câncer e Inflamação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com forte participação da Liga Contra o Câncer, envolvendo estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado das instituições.

Pela primeira vez na literatura científica, o estudo demonstra que a combinação dos seguintes elementos:

  • polimorfismo com deleção do alelo T no gene FOXP3;
  • alta expressão do eixo CXCL12–CXCR4–SNAIL;
  • infiltração intensa de macrófagos M2 (CD163⁺CD204⁺) no estroma tumoral;
  • ativação robusta das vias STAT3/NF-κB;

está associada a um aumento expressivo no risco de morte em pacientes com câncer cervical — sobretudo naqueles HPV-positivos com elevada expressão de XPO5.

O estudo prospectivo acompanhou 100 pacientes do Centro Avançado de Oncologia da Liga Contra o Câncer entre 2018 e 2023. Foram utilizadas técnicas como imuno-histoquímica em Tissue Microarray (TMA), qRT-PCR, citometria de fluxo e genotipagem. Os resultados mostram que pacientes com esse perfil molecular agressivo apresentam sobrevida global significativamente menor.

Segundo o professor Dr. Ricardo Cobucci, “a interação desses quatro fatores cria um microambiente tumoral profundamente imunossupressor, capaz de silenciar a resposta imune e favorecer metástases e resistência terapêutica. Reconhecer esse perfil pode, no futuro, permitir identificar pacientes que necessitam de abordagens imunoterapêuticas mais intensivas ou de combinações terapêuticas específicas”.

O professor Dr. George Lira, também autor do artigo, docente do curso de Medicina da UnP e médico da Liga Contra o Câncer, reforça o impacto clínico dos resultados:
“Quando conseguimos mapear um conjunto de biomarcadores que aponta para um comportamento tumoral tão agressivo, abrimos espaço para decisões terapêuticas mais precisas. Esses achados ajudam a entender por que alguns tumores respondem mal aos tratamentos tradicionais e mostram caminhos para intervenções que realmente modifiquem o prognóstico das pacientes. É um avanço importante para a oncologia translacional no nosso estado.”

A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da UnP, Profa. Dra. Amália Rêgo, destaca o papel estratégico da cooperação científica entre as instituições:
“Este trabalho mostra como a colaboração entre instituições se traduz em ciência de alta relevância. Quando pesquisadores, estudantes e serviços de saúde trabalham de forma integrada, conseguimos produzir conhecimento capaz de impactar diretamente o cuidado aos pacientes e fortalecer todo o ecossistema científico do estado. Essa parceria contínua é essencial para formar profissionais preparados e impulsionar descobertas com impacto real na sociedade. É uma demonstração clara de que a colaboração interinstitucional é o caminho para acelerar descobertas relevantes e formar profissionais preparados para grandes desafios.”

A pesquisa destaca o papel central dos estudantes, reforçando o modelo de formação integrada da UnP, no qual graduandos e pós-graduandos participam ativamente da produção científica de alto nível.

“É motivo de grande satisfação ver o nome da UnP em uma revista internacional ao lado de pesquisadores de excelência da UFRN e da Liga. Isso evidencia que a Universidade Potiguar forma profissionais capazes de gerar conhecimento avançado, com impacto real na saúde da população norte-rio-grandense”, afirma o professor Ricardo Cobucci.

O trabalho está disponível em acesso aberto no link:
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/adbi.202500354